Companheiros:
Os tempos são árduos para aqueles que sonham construir um mundo justo e fraterno e nesse sentido travam lutas cotidianas. Cada vez mais empobrecidos materialmente pela exploração do capital lutamos para não sermos expropriados também de nossas vontades, nosso caráter, nossa humanidade. A pressão é tamanha que perde-se a noção da natureza coletiva de sindicatos, partidos, e muitas alianças não são mais feitas com base política mas sim como um grande balcão onde interesses de grupos ou de indivíduos são negociados. A forma e o conteúdo da política aproximam-se perigosamente dos métodos mais escusos da burguesia. A difamação, os ataques pessoais, a calúnia e a agressão selvagem tomam o lugar do bom debate. Em meio a este turbilhão de atos e pensamentos que imprimem nas almas a barbárie neoliberal, o socialismo teima em continuar sendo o horizonte e exige de nós a superação dessas práticas e a retomada da construção dos projetos coletivos.
Por isso estamos, a esquerda socialista, apostando no CONCLAT rumo à construção de mais um instrumento de luta da classe trabalhadora. Deixamos para trás o legado do que construímos e que se voltou contra nós. A CUT foi um sonho usurpado que agora serve à perpetuação da realidade brutal que vivemos. Seu vermelho desbotou e não emergirá do cinza que a tingiu. Os primeiros passos que demos foram difíceis para todos, mas na consciência da necessidade dessa ferramenta é que se assenta nossa força e nossa vontade de superar os conflitos.
Não podemos aceitar que no SEPE, sindicato dirigido majoritariamente por uma composição de esquerda, tanto na Direção Estadual como na maioria dos núcleos e regionais, a prática do paralelismo esteja se disseminando. Jornais, boletins e blogs das ditas minorias utilizando a logo do sindicato tem contribuído para gerar confusão e sensação de que a eleição não terminou e que não temos o mínimo de identidade comum para marcharmos juntos para a nova central. O ataque direto à militantes históricos do sindicato, que se mantiveram firmes onde muitos sucumbiram só serve aos interesses de governos que foram combatidos por eles. A disputa sem ética, a calúnia, a agressão pessoal cuja única utilidade e conseqüência é a quebra do que com tanto cuidado conseguimos construir não podem imprimir ao processo de reconstrução sindical a sua lógica e seus métodos.
Lamentamos profundamente aqueles que investem na disputa dessa forma. O debate político é um patrimônio da esquerda e não deve ser mascarado por interesses alheios ao movimento socialista. Àqueles que estão procurando construir um SEPE paralelo, com interesses escusos, sabemos que não demoveremos de suas intenções. Mas àqueles que estão equivocados, mantendo-se nessa rota alimentados pelo ódio, fazemos um chamado à construção conjunta do CONCLAT na educação.
Não basta que seja pura e justa
A nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça
Existam dentro de nós.
Dos que vieram
E conosco se aliaram
Muitos traziam sombras no olhar
Intenções estranhas.
Para alguns deles a razão da luta
Era só ódio: um ódio antigo,
Centrado e surdo
Como uma lança.
Para alguns outros era uma bolsa vazia
(queriam enche-la)
Queriam enche-las com coisas
Sujas
Inconfessáveis.
Outros viemos.
Lutar para nós é ver aquilo
Que o Povo quer realizado.
É ter a terra onde nascemos.
É sermos livres para trabalhar.
Lutar para nós é um destino-
é uma ponte entre a descrença
E a certeza de um mundo novo.
Na mesma barca nos encontramos.
Todos concordam- vamos lutar.
Lutar para quê?
Para dar vazão ao ódio antigo?
Ou para ganharmos a liberdade
E ter para nós o que criamos?
Na mesma barca nos encontramos
Quem há de ser o timoneiro?
Ah, as tramas que eles teceram!
Ah, as lutas que aí travamos!
Mantivemo-nos firmes: no povo
Buscáramos a força e a razão
Inexoravelmente
Como uma onda que ninguém
Trava
Vencemos.
O povo tomou a direção da barca.
Mas a lição lá está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa
A nossa causa.
É necessário que a pureza e a
Justiça existam dentro de nós.
(Poemas de Angola- Agostinho Neto)