Nosso partido está fazendo um grande esforço nesta conferência eleitoral. Milhares de filiados estão mobilizando-se nos quatro cantos do país para debater a intervenção do PSOL no processo eleitoral 2010 e escolher democraticamente quem será o candidato do PSOL à presidência da República. Em muitos Estados as conferências estaduais também definirão os candidatos aos governos pelo PSOL, além de nossa política de alianças. Por meio desta nota queremos conclamar todos os militantes do partido a realizar e garantir as conferências estaduais em todo o Brasil. Está nas mãos dos militantes e destas conferências a decisão sobre os próximos passos que o partido dará.
Infelizmente, a Executiva Nacional do PSOL não teve condições de resolver, até agora, os problemas e divergências que existem no seu interior em relação à condução da Conferência Eleitoral. No dia 24.03 a Executiva Nacional deveria reunir-se para analisar o andamento da conferência e os possíveis recursos apresentados às instâncias estaduais e posteriormente remetidos à Executiva. A reunião não conseguiu ser concluída e terminou num impasse. Os militantes precisam conhecer o que ocorreu sabendo que devem assumir a responsabilidade por controlar o partido. As instituições deste controle são as conferências estaduais que reunirão nos próximos dias com delegados eleitos em plenárias de base em todo o território nacional
Com este documento estamos apelando para que a base, os militantes e os filiados do PSOL reunidos nas plenárias e nas conferências estaduais do partido resolvam soberanamente o que a direção não tem conseguido encaminhar. Chamamos aos valorosos militantes de nosso partido e que defenderam neste processo Martiniano, Babá e Plínio a somarmos esforços e garantir a democracia e atuarmos juntos na defesa do PSOL.
Quais foram os desacordos na Executiva Nacional:
1) Necessidade da apresentação de todos os números.
Esta foi a proposta de Heloisa Helena, isto é, que a Executiva socializasse os números totais dos militantes reunidos em todo o país. Esta proposta não teve acordo do Secretário-Geral Afrânio Boppré. O companheiro não falou a título pessoal, mas em nome de sua chapa, reafirmando a contrariedade com a proposta de Heloísa Helena que reiterava a necessidade da reunião dar divulgação ampla e irrestrita de todos os resultados apresentados pelas direções estaduais. Esta proposta da presidente era reforçada pelos membros da Executiva defensores da pré-candidatura de Martiniano que queriam divulgar oficialmente para a Executiva os números resultantes de seu trabalho de direção e de fiscalização em todos os Estados. Diga-se de passagem que as pré-candidaturas de Plínio Sampaio e Babá haviam horas antes emitido notas também solicitando a divulgação dos dados. Na reunião, porém, houve a recusa destes mesmos setores a anunciar e socializar a totalidade dos filiados nas reuniões realizadas. Esta recusa em discutir os números foi a primeira crise da reunião. Isso é grave porque todos devem conhecer os números e os Estados já os têm pelo menos numa boa aproximação. Não há, portanto, nenhuma legitimidade para que a Executiva não se dedique a coletar estes dados e divulgá-los para o partido.
Por incrível que pareça esta tentativa de impedir a divulgação dos números ocorreu depois do Secretário Geral Afrânio Boppré ter questionado a coordenação da campanha de Martiniano Cavalcante por sua divulgação, um dia antes, de uma nota com os números que havia conferido. Vale lembrar que estas informações foram divulgadas pelos que fiscalizaram as plenárias em todo o país. Tais números mostraram uma importante vantagem para o nome de Martiniano em relação a cada um dos dois outros pré-candidatos e mesmo à soma dos apoios dos dois pré-candidatos. Como se fosse pouco, o Secretário Geral, sempre de acordo com sua chapa, divulgou no site oficial do partido nota desqualificando os dados publicados pela pré-candidatura de Martiniano, classificando-os de fictícios e irreais. Com este método abandonou a condição de Secretário Geral do partido para assumir a secretária geral de uma pré-candidatura. Infelizmente utilizou a página oficial do partido como se sua nota fosse da direção, não de uma fração da mesma.
Diante da recusa reiterada de discussão e informação oficial dos resultados começamos a divulgar o detalhamento de nossas informações. Assim, informamos na reunião os números dos filiados reunidos em todo o país. Ao receberem a informação sobre os números do Acre, disseram que não aceitariam este resultado, argumentando que o Acre tinha pouco mais de 700 filiados e assim não poderia reunir 600. Colocaram que sem resolver este "problema" não se poderia avançar na reunião. Acontece que os filiados do Acre somam 1.067 no total, portanto, trata-se de um desrespeito contra a militância do Acre.
Diante destes fatos tornou-se inadiável a publicação do censo dos filiados que participaram da conferência em todo o país. Esta tarefa é a primeira que deve ser garantida pelo partido e pelas direções estaduais.
2) Respeito às normas estabelecidas democraticamente:
A forma como foi conduzida a discussão sobre os recursos nos levou a uma grave suspeita: a tentativa de virada de mesa e de alteração da vontade dos filiados pela utilização de uma eventual maioria pró Plínio na Executiva para anular plenárias que foram favoráveis ao pré-candidato Martiniano Cavalcante. Trata-se, é claro, de uma desconfiança grave. Para que tal desconfiança não prosperasse teríamos que ser objetivos, buscando chegar a um acordo claro sobre as normas votadas pela própria Executiva para que os recursos fossem apreciados com critérios legais e objetivos. Estas normas foram desrespeitadas, Vamos a alguns fatos:
Na reunião do dia 15.03.2010 da Executiva Nacional, foi aprovado o Termo Aditivo da III Conferência Nacional, que acrescentou novas regras à convocatória inicial. É óbvio e pacífico nos princípios do direito que novas regras só tenham validade a partir do dia de sua decisão e divulgação, até porque nenhum militante tem obrigação de adivinhar exigências de regras futuras. No entanto, ao reivindicarmos que este princípio fosse respeitado, com a não retroatividade de regras constantes no Termo Aditivo, até por que os militantes não poderiam cumprir regras que não existiam, os membros da executiva pró Plínio se manifestaram pelo absurdo entendimento que a regra se aplicavam retroativamente.
Reivindicamos também que a letra do Termo Aditivo fosse plenamente respeitada, como no caso da exigência de que os recursos teriam que obrigatoriamente ser apresentados até o dia 22.03 aos respectivos diretórios estaduais. Reivindicamos, portanto, apenas a observação dos aspectos legais, um compromisso com as normas estabelecidas democraticamente. Surpreendentemente, mais uma vez, não obtivemos êxito, pois os apoiadores da pré-candidatura de Plínio na Executiva Nacional se negaram a observar as formalidade exigidas nos recursos.
Não se trata de forma alguma de recusar recursos que sejam fundamentados. Mas os recursos devem estar baseados em regras, não no casuísmo e na conveniência de eventuais maiorias. Não se pode ignorar as regras. Quem não quer normas é porque acha que se pode julgar de acordo com as conveniências. Por isso insistimos nas normas. Recursos sem normas, com normas retroativas e com informações falsas representam casuísmos. Caso os companheiros não reavaliem, seria nossa conclusão de que os recursos apresentados visaram derrubar plenárias que elegeram delegados favoráveis à pré-candidatura de Martiniano Cavalcante. É o caso, por exemplo, dos escandalosos recursos contra o PSOL de Viamão. Nesta cidade, na qual o PSOL teve 10% dos votos nas eleições municipais, onde elegemos um suplente de deputado federal e onde temos reunido centenas de pessoas organizada s desde a fundação do partido, foram feitos recursos absurdos e ilegais que, caso aprovados, anulariam a maioria das plenárias dos militantes da cidade. O mesmo método se usou no Rio de Janeiro, entrando com recursos que nem mesmo seus proponentes defendiam seriamente, afirmando que se tratavam de recursos preventivos no caso da plenária do setor agrário do MTL e, noutro caso, abstendo-se de votar favorável ao próprio recurso, como foi o caso de Saquarema, que mesmo tendo sido derrotados no Diretório Estadual ainda assim os reapresentaram na executiva nacional.
Diante deste impasse e destas manobras inaceitáveis a Executiva se dividiu e perdeu credibilidade. Resta-nos apelar à base do partido, às suas instâncias estaduais, para que garantam o processo democrático da Conferência Nacional Eleitoral. A Executiva não pode se considerar a toda poderosa para resolver tudo. A Executiva Nacional pode muitas coisas, mas não pode tudo. Não pode, por exemplo, ferir as regras que ela mesma vota nem os estatutos e os direitos dos filiados. A executiva pode muitas coisas, mas nem por maioria, nem por consenso, nem por crise, nem por nada neste mundo pode atropelar a base partidária reunida conforme estabelece nossas regras internas. Não podemos esquecer, aliás, que a executiva esta muita fragilizada, alem de dividida. Tanto é assim que o Secretário Geral titular que foi eleito pelo Congresso Nacional, Luiz Araújo, renunciou ao cargo antes mesmo da segunda reunião da Executiva após o II Congresso. Nesta quarta, na reunião do dia 24, tivemos uma nova baixa, um pedido de afastamento por motivos legítimos de um valoroso companheiro, mas que fragiliza, porque é mais um quadro fundamental que deixa de integrá-la. Assim precisamos recompor a Executiva e assim garantir a máxima unidade do partido, mas para isso é fundamental a unidade do partido construída com respeito à base partidária.
Por isso apelamos à militância e às instâncias estaduais que realizem as plenárias estaduais de nossa Conferência com o mais rígido respeito ao Estatuto e Programa partidários e ao que estabelece a sua Convocatória e seu Termo Aditivo. As plenárias estaduais de nossa Conferência têm caráter deliberativo em seu âmbito e são soberanas para decidir. Ao mesmo tempo, somos defensores de uma comissão integrada por camaradas do partido com tradição na esquerda e no PSOL para que supervisionem a realização das conferências e a averiguação de toda e qualquer tema que seja posto pelas pré-candidaturas e pelas teses e chapas partidárias, garantindo o respeito às normas, a lisura e as plenárias da conferencia.
Disponibilizamos abaixo, a todo o partido, os números da III Conferência Eleitoral, fiscalizados e/ou apurados em todo o Brasil.
01 – RS: 23 delegados (nacionais)
02 – SC: 01 delegado
03 – PR: 03 delegados
04 – SP: 35 delegados
05 – RJ: 27 delegados
06 – MG: 13 delegados
07 – ES: 02 delegados
08 – MS: 05 delegados
09 – MT: 01 delegado
10 – GO: 07 delegados
11 – TO: Sem quórum
12 – AM: Sem quórum
13 – PA: 13 delegados
14 – RO: 02 delegados
15 – RR: 01 delegado
16 – AP: 06 delegados
17 – AC: 09 delegados
18 – PI: Sem quórum
19 – CE: 04 delegados
20 – RN: 03 delegados
21 – PB: 01 delegado
22 – PE: 06 delegados
23 – AL: 04 delegados
24 - MA: Sem quórum
25 – SE: Sem quórum
26 – BA: 11 delegados
27 – DF: plenária só em 27.03
Portanto, nossa III Conferência Eleitoral Nacional terá um teto de 177 delegados nacionais com o acréscimo dos delegados eleitos no DF no dia 27 de março.
Heloisa Helena - Presidente Nacional do PSOL
Edilson Silva - Executiva Nacional do PSOL
Elias Vaz - Executiva Nacional do PSOL
Jefferson Moura - Executiva Nacional do PSOL
Mario Agra - Executiva Nacional do PSOL
Pedro Fuentes - Executiva Nacional do PSOL
Roberto Robaina - Executiva Nacional do PSOL