segunda-feira, 12 de abril de 2010

A QUE HERANÇA DEVEMOS RENUNCIAR!

O Partido dos Trabalhadores realmente fez história, da pior forma possível.
O PSOL, nascido da necessidade dos trabalhadores disporem de uma ferramenta partidária para a luta contra as medidas antipopulares do governo Lula, trouxe às suas fileiras, vários militantes geridos no PT. Àquele momento, a reforma da previdência, a iminência da reforma universitária e a inapetência do governo em promover uma reforma agrária, urbana e tributária que tivesse como norte as necessidades dos trabalhadores, fizeram com que várias lideranças nacionais do PT, assim como o MTL, basicamente egressos do PSTU, arriscassem se lançar em uma empreitada dificílima. Qual seja: ser uma alternativa à escalada do maior partido da esquerda brasileira como porta-voz das reivindicações e anseios populares.
A candidatura à presidência de Heloisa Helena em 2006 demonstrou a justeza dessa iniciativa. O PSOL espraiou-se tanto eleitoralmente quanto nas entidades e movimentos populares, dirigindo e/ou co-dirigindo diversos desses espaços.
Com o fôlego e a responsabilidade dos 7 milhões de votos conquistados em 2006 nos preparamos para o pleito de 2010. Um fato, porém, inicia uma fase até então desconhecida no PSOL. A companheira Heloisa Helena abdica da tarefa de disputar as eleições presidenciais.
Em princípio a direção nacional aprova o início de discussões com Marina Silva, a despeito da posição de alguns setores do partido, a decisão foi aprovada em fórum apropriado e legítimo. Com as posições do PV claramente tendendo a alianças com o PSDB e DEM a executiva aprova o fim das negociações e abre-se um processo de discussão sobre a candidatura própria, apesar de Plínio de Arruda se antecipar e lançar sua candidatura, atropelando todo o processo.
O decurso das conferências municipais e estaduais deixou claro, a inserção social da candidatura Martiniano Cavalcanti, fazendo com que defensores dessa candidatura conseguissem eleger tantos delegados quanto necessário para torná-lo nosso candidato, pegando de surpresa a maioria da direção nacional, que supunha do alto de sua soberba, que conseguiria maioria na conferência nacional.
O MTL e seus aliados demonstraram a capacidade desse partido em inserir-se nos rincões mais longínquos de nosso país e elegeram delegações no Acre, em Roraima e no Pará, entre a militância que arrisca sua vida nos empates e ocupações de terra. Nossa militância não está somente no sul maravilha e não é composta apenas de intelectuais que os anos de militância formaram ou deformaram.
A insatisfação com o desenrolar desse processo fez com que a maioria da direção do PSOL, adepta da candidatura Plínio, desenvolvesse uma campanha de mentiras, questionando a lisura na eleição dos delegados pró-Martiniano, inflando a página eletrônica do partido com calúnias, descredenciando delegados do Acre e Roraima e colocando sub-judici outras delegações, culminando com a destituição da presidente nacional do PSOL, Heloisa Helena, em reunião convocada às pressas e sem a presença de parte significativa da direção.
Lamentamos esse golpe contra a vontade dos militantes e a democracia partidária, tão freqüente no PT e tão plenamente incorporado às práticas de parcelas significativas da militância do PSOL.
Desconhecemos as decisões aprovadas nessa conferência, que deixou parcela importante do corpo partidário alijada dos rumos adotados daqui pra frente.
Contra os golpes, fundamos o PSOL, contra o autoritarismo, criamos esse Partido, temos força, disposição e capacidade de luta para continuarmos trilhando os rumos da Democracia, do Socialismo e da Liberdade.

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